Em live com especialistas, Energisa lança laboratório idealizado para ser protagonista na transformação digital da companhia

Em live realizada em 29 de junho, o Grupo Energisa apresentou o Digital Labs. Trata-se do primeiro centro de inteligência artificial (IA) do setor elétrico, criado para acelerar a transformação digital da empresa. No biênio 2020-2021, devem ser investidos em inovação em torno de R$ 350 milhões.

O centro de excelência em advanced analytics e IA tem o objetivo de desenvolver tanto produtos e serviços para clientes quanto soluções de fomento do setor elétrico nacional. O espaço, com sede no Rio de Janeiro, servirá para fomentar a inovação, a criatividade, a troca de experiências entre colaboradores e também com parceiros e clientes. Além disso, o centro de pesquisa viabilizará a interação com todas as distribuidoras e empresas do Grupo Energisa.

Mediada pela jornalista Miriam Leitão, de O Globo, a live, transmitida pelas redes sociais da revista Época Negócios, trouxe como convidados Paulo Castro, professor e chefe do departamento Metodologias da Computação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Pepe Cafferata, sócio da McKinsey Brasil e o anfitrião Lucas Pinz, diretor de Inovação e Planejamento Estratégico da Energisa.

Para Pinz, as transformações no setor elétrico, nos hábitos do consumidor e na sociedade de uma forma geral, que se aproximam cada vez mais do universo digital, criam novas possibilidades de negócios – sejam produtos ou serviços – no ecossistema do qual fazem parte empresas, empreendedores e startups.

O diretor da Energisa exemplificou alguns recursos que vão ganhar ainda mais espaço com o Digital Labs. “Se imagine recebendo informações em tempo real sobre o seu consumo de energia, ou recebê-la com mais qualidade porque é possível fazer manutenção preditiva na infraestrutura de fornecimento energético. Na Energisa, conseguimos antever falhas que podem gerar grandes danos.” Como lembra Pinz, a IA já é uma ferramenta importante na prevenção de eventos e condições climáticas importantes para o setor.

O executivo ressalta que o futuro do setor elétrico depende de soluções inovadoras, com o uso de tecnologias e novas metodologias voltadas a estimular a agilidade e a criatividade dos colaboradores da companhia. “O Energisa Digital Labs representa a síntese da inovação que sempre esteve presente em nosso DNA”, afirma.

Outra missão importante do Energisa Digital Labs é o desenvolvimento de habilidades de ciência e engenharia de dados nas diferentes unidades de negócios da companhia. Isso será feito por meio da disseminação e da descentralização do conhecimento, além da valorização da cultura de inovação. Foi criada uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais com perfis complementares. Por exemplo, estatísticos, matemáticos, físicos, engenheiros, cientistas de dados, designers, arquitetos e desenvolvedores.

Além de contar com a equipe própria e desenvolver soluções para as diferentes atividades do grupo, o Energisa Digital Labs vai buscar parcerias. “Queremos estreitar conexões com principais players do mercado, incluindo startups e instituições científicas, sempre com a meta de gerar valor por meio da inovação, tanto para a Energisa, como para o setor elétrico brasileiro. Com o Digital Labs, estamos desenvolvendo novos produtos posicionados na vanguarda das tendências tecnológicas”, explica Pinz.

O trabalho será desafiador. Serão colocadas em prática iniciativas voltadas à melhoria da eficiência operacional, que permitam um ganho de experiência dos clientes e gerem novos produtos e serviços tanto para o mercado nacional quanto internacional. “Seremos cada vez mais uma plataforma de soluções energéticas, promovendo a digitalização, descentralização, descarbonização e a diversificação, habilitada pelo uso intensivo de inteligência computacional”, destaca o diretor da Energisa.

Assim como Pinz, Cafferata acredita que a IA será grande geradora de soluções e de negócios. Hoje, estima-se que o uso seja responsável pela geração de um valor entre US$ 8 e US$ 10 bilhões apenas no setor de energia. No cenário pós-pandemia, aponta o executivo da McKinsey Brasil, a mudança de comportamento dos consumidores vai acelerar novas demandas, assim como a preocupação cada vez maior com o uso de fontes renováveis e mais eficientes.

“O consumidor agora faz compras de um modo mais planejado, quer segurança, tem mais consciência e dá valor as ações sociais e a sustentabilidade. A casa passou a ser um lugar central para as famílias. Bem-estar e conforto ganharam importância. Além disso, há uma tendência de desurbanização. Isso tem impacto no mercado e a inteligência artificial pode ajudar”, explica Cafferata.

O sócio da McKinsey Brasil cita alguns recursos da AI. Por exemplo, a possibilidade de adaptar a oferta de energia de forma personalizada. No caso do gás natural, a IA permite fazer um mapeamento de hábitos, como a possibilidade de o cliente ter itens como fogão e aquecedores. Com isso, as empresas têm mais precisão na hora de disponibilizar seus serviços.

“Quanto mais acesso a dados, mais algoritmos e plataformas se tornaram possíveis. O setor energético é um grande gerador de dados, o que pode levar a descoberta de novos padrões e modelos de negócios”, acrescenta Castro.