Sistema fotovoltaico será instalado em breve em base do Instituto Homem Pantaneiro para monitorar o ecossistema da região

A universalização do acesso à energia elétrica no Pantanal sul-mato-grossense terá um avanço importante a partir desta quarta-feira (28/07/2021). O projeto Ilumina Pantanal oficializou hoje a instalação de um sistema de geração solar fotovoltaica e armazenamento em baterias na singela residência de Enaurina da Silva Rodrigues, de 59 anos, nascida e criada na região do Pantanal do Paiaguás. Ela é uma das 2.090 famílias a receber os microssistemas semelhantes, em que o excedente de energia solar gerado é armazenado para dar continuidade ao fornecimento à noite ou em dias chuvosos e nublados.

“Com a chegada da energia, muita coisa mudou. Ganhei uma geladeira da Energisa e agora tenho água gelada para tomar, as comidas não estragam mais, posso assistir a tevê que ganhei do meu sobrinho. Só não preciso mesmo é do ventilador porque sou pantaneira, acostumada com o clima daqui”, contou. 

A cerimônia foi realizada em Porto de São Pedro, um dos principais portos de embarque e desembarque de gado da planície pantaneira, em Corumbá. O evento com a presença de diversas autoridades, entre elas, o Ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque; o Governador do Estado de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja; o presidente do Grupo Energisa, Ricardo Botelho; o diretor-presidente da Energisa Mato Grosso do Sul, Marcelo Vinhaes; o  diretor técnico Paulo Roberto dos Santos; diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Hélvio Guerra; o diretor de Regulação do Grupo Energisa, Fernando Maia; secretário de infraestrutura, Eduardo Riedel; o secretário de Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck; e o diretor de regulação e fiscalização da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul, Valter Almeida da Silva.

“O fornecimento de energia por fonte renovável ao Pantanal sul-mato-grossense é resultado de investimento em inovação, que traz as mais avançadas tecnologias para desenvolver esta solução pioneira que respeita o meio ambiente. Temos como prioridade e objetivo a melhoria da qualidade de vida da população, e a energia é fundamental para a saúde, o conforto e o sustento das pessoas”, afirmou Marcelo Vinhaes, diretor-presidente da Energisa Mato Grosso do Sul. 

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque reconheceu a importância da iniciativa. “O projeto traz dignidade, perspectivas e sustentabilidade ao Pantanal, um patrimônio da humanidade e orgulho para os brasileiros. Trata-se de uma recompensa das políticas públicas que visam o bem-estar social”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. 

Para o governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, a parceria entre os agentes públicos e privados foi fundamental para a universalização do serviço na região. “É um ganho de qualidade de vida, de desenvolvimento social, de progresso e incremento para o turismo e outras atividades econômicas”, disse durante a cerimônia. 

O projeto Ilumina Pantanal é uma parceria do Grupo Energisa com o Governo do Estado do Mato Grosso do Sul e o Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Até 2022, a iniciativa levará energia elétrica a 2.167 unidades consumidoras, o que representa em torno de 5 mil habitantes espalhados por uma área de 90 mil km², nos municípios de Corumbá, Aquidauana, Coxim, Ladário, Porto Murtinho, Rio Verde e Miranda. Desse grupo, 77 famílias já foram atendidas por rede de distribuição convencional, e agora começam a ser implementados para os demais os sistemas individuais de geração solar. Em todas as unidades consumidoras haverá a instalação básica de elétrica predial, com tomadas e lâmpadas de LED, mais eficientes e econômicas. Ao todo, a Energisa e o Governo Federal estão investindo R$ 134 milhões no projeto.

O presidente da Energisa, Ricardo Botelho, ressaltou o compromisso da empresa em vencer desafios para levar energia elétrica às comunidades localizadas em áreas remotas. “A energia é elemento transformador na vida de milhares de pessoas. O Ilumina Pantanal é uma prova de que podemos aliar a preocupação com o meio ambiente com as políticas públicas bem definidas para produzirmos resultados favoráveis aos consumidores mesmo nos locais mais difíceis de serem alcançados”, afirmou Botelho.

A chegada da energia também vai impulsionar a produção rural no Pantanal sul-mato-grossense. Armando Carlos de Lacerda, proprietário da fazenda Porto São Pedro, reconhece que a iniciativa vai transformar a localidade pantaneira em um ambiente fértil para o desenvolvimento sustentável das famílias que vivem ali. “A universalização representa modernidade e, definitivamente, nos tira da escuridão e da invisibilidade”, afirma o produtor. A fazenda está situada próxima ao eixo logístico Paiaguás, por onde são transportadas as cargas que utilizam o Porto São Pedro como plataforma multimodal de conexão com navios para transporte de gado.

A Reserva Particular do Patrimônio Natural Acurizal, onde funciona uma das bases do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) também receberá sistemas de geração e armazenamento de energia, que deverá ser concluído em setembro. A chegada da energia é fundamental, por exemplo, para ampliar e aprimorar as pesquisas científicas sobre a fauna da região, em especial as onças-pintadas, realizadas pela instituição. O insumo facilitará o dia a dia dos pesquisadores, como a manutenção do banco de dados e o manuseio do colar de identificação dos animais.

Participaram ainda da solenidade o contra-almirante Paulo César Bittencourt Ferreira, comandante do 6º Distrito Naval da Marinha do Brasil; o secretário de energia elétrica do Ministério Minas e Energia; Christiano Vieira da Silva; secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético, Paulo Cesar Magalhães Domingues; prefeito Municipal de Corumbá, Marcelo Iunes, deputada federal, Bia Cavassa; deputado estadual Evander Vendramini e presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Coronel Ângelo Rabelo. 

Início em 2018 e censo da região

A universalização do Pantanal teve início com um projeto de pesquisa e desenvolvimento da Energisa fomentado pela Aneel. Num primeiro momento, a Energisa realizou, junto com o Instituto Lactec, um censo inédito da região, colhendo informações de cunho socioambiental, analisando o ambiente regulatório e diagnosticando o atendimento e o zoneamento. A pesquisa identificou moradores que vivem na região isolada do Pantanal (ribeirinhos) – população local que vive às margens do rio.

Estas pessoas se dedicam, principalmente, à pesca artesanal e à coleta de iscas para venda aos pescadores esportivos ou recreativos. Os demais moradores são proprietários rurais e trabalhadores de grandes fazendas da região que moram com suas famílias dentro das propriedades. Há locais que só são acessíveis de barco. Outros até podem ser alcançados por terra, mas com a necessidade de percorrer horas com cavalos e tratores para superar vazantes e areais. Algumas viagens chegam a durar 22 horas por terra.

Em 2018, teve início a etapa piloto do projeto, em que 23 unidades, entre casas, escolas e propriedades rurais, espalhadas por quase 90 mil km², receberam sistemas de geração solar fotovoltaica e armazenamento de energia, atendendo a cerca de 100 pessoas. Foram beneficiadas populações de áreas de difícil acesso, nas margens do Rio Paraguai e em Taquari, Nhecolândia e Paiaguás. A Escola Municipal Fazenda Nazaré, em Taquari (a duas horas de Porto Sagrado) e a escola do Sítio Santa Maria (a 3h30 do local) estão entre as instituições contempladas nesta fase do projeto, além da Ilha da Sorte e o Porto Nossa Senhora Aparecida, no Rio Paraguai, situado a uma distância de 4h30 de barco a partir de Corumbá.